segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

a troca

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A troca

Num cantinho do bosque encontrei uma mina de água rodeada de flores e pedras formando um pequeno dique cristalino, tão limpo que bebi a água pura que brotava entre as pedras.
Durante o dia o silêncio era quebrado pelo canto dos pássaros e pelos gritos das araras disputando os frutos, pousadas em casais sobre os pés de coqueiros e dando um colorido especial à vida do bosque com seu amor em grupo.
Em um gramado fofo formado ao lado do açude montei minha barraca colorida onde passaria a noite e me protegeria do frio na solidão noturna.
Junto com a noite veio a troca do sol pela lua, os pássaros pararam de cantar dando lugar ao silêncio que agora era quebrado pelos grilos, sapos e corujas.
Deitei e tentei dormir avistando a grande lua brilhando em seu esplendor, sua luz era tão forte que iluminava dentro da barraca. A lua desfilava como uma majestade no imenso tapete azul, no momento em que eu ouvi um barulho estranho nas águas.
Tentei olhar por uma abertura da barraca, mas o brilho do luar refletido no espelho d’água ofuscava o meu campo de visão despertando a minha curiosidade.
Abri lentamente a barraca e me aproximei cautelosamente da margem do dique, onde imaginei ter tido uma visão, mas era uma realidade, avistei uma peixinha colorida nadando e fazendo festa nas águas.
Percebendo a minha presença, ela se escondeu entre as flores coloridas camuflada com suas cores fortes. Perdendo ela de vista me senti solitário e uma sensação de abandono tomou conta de mim, abraçando o meu coração que ficou triste e para afastar a solidão comecei a cantar para as estrelas, que pareciam entender meu canto de dor permanecendo ao meu lado.
Enquanto eu cantava, a peixinha me observava quietinha na beira do açude, bem pertinho de mim. Eu não resisti e coloquei a mão na água a vendo nadar carinhosamente, apreciando e tocando em minha mão. Ela nadava entre os meus dedos dando a impressão de querer que eu a pegasse nas mãos.
Eu girava a mão contornando-a com os dedos e admirando seu carinho girando num estilo especial de nadar.
Enfiei a cabeça dentro da água cristalina para vê-la de perto, querendo ver a cor dos seus olhos e tê-la juntinho de mim. A peixinha se aproximou rapidamente e me beijou. Foi tão rápido que não consegui fugir sentindo a sua boca em meus lábios e nesse momento por encanto a troca começou.
A peixinha aos poucos foi se transformando em uma linda garota de olhos castanhos me deixando apaixonado e eu me transformando em um peixinho sem cores. Ela saiu da água e eu pulei para dentro do açude.
Entre os segredos do bosque encantado estou eu nadando na nascente de águas claras e a garota de olhos castanhos cantando para mim enquanto eu brinco nadando em suas mãos macias.

ZzzzzzzzzzzzzzzzziperRRRRRRRRR e VesssssstIIIIIIIIIIiiiiiiiiiiiiiiiii....
VruummmmmmmmmmmmmmmmZummmmmmmmmmmmmm

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helena

jamais subestime um ser que sangra durante uns dias todo mês e não morre....