domingo, 21 de fevereiro de 2010

A pousada dos sonhadores



***
Aproveitei os feriados e fui para uma cidadezinha não muito longe. Em duas horas já estava hospedada em uma pousada simples e limpíssima.
Logo que cheguei li que iria ter baile de carnaval. Pensei... fico por aqui, se for ruim vou dormir.
Coloquei meu vestido vermelho, tinha um lado sem alça... em um vermelho que me deixava, se não lindíssima (aiaiai), muito bonita... pelo menos pensava que sim, somente pra me animar.
Desci, meu quarto era no segundo andar. As escadas nem eram tantas...
Estava já animado o baile, músicas novas, pessoas jovens e as mais velhas sentadas nas cadeiras...
Bem, em lugar de interior ainda se tem esse costumes... rs
No bar pedi uma cerveja. Estava um calor... Como não tenho o costume de cerveja fiquei logo alegre...
Um rapaz, com uma camisa toda aberta, achei estranho...
- Boa noite, morena.
- Boa noite.
- Quer ir no cordão?
- Cordão?
- Sim, na pracinha tem um cordão carnavalesco.
- É longe?
- Dá para ir andando...
- Vamos só nós dois?
- Tem um pessoal que vai também.
- Vou sim, vou somente pegar um documento.
- Documento nem precisa... é perto, e você estará comigo.
Pedi mais uma cerveja, estava com sede.

Ele se afastou um pouco para falar com um pessoal. Logo estavam reunidos na porta.
As pessoas sentadas permaneceram sentadas, o salão ficou sem som. Sem barulho é agradável para quem gosta de somente conversar.
Fui seguindo a turma. Ele chegou e me perguntou:
- Seu nome e com H?
- Sim. Como sabe?
- Uma cigana me disse: vai encontrar seu grande amor e logo. Isso foi ontem. Rs
- Faço votos que a cigana acerte.
- Ela acertou. Me disse: seu amor terá H no começo do nome.

Gelei... com aquele calor... pensei vou perder o sentido...
Chegamos na pracinha.
Toda animada e enfeitada com temas do carnaval.
Ele me segurou:
- Não saia de perto de mim.
Entramos no cordão... pulei, cantei, sorri e chorei de alegria... estava cansada.
- Vou embora. Sei o caminho, tem tanta gente na rua, não vou me perder.
- Vou te acompanhar.
Saímos caminhando...
A lua estava clara, enorme, dando um clima mágico.
- Seu nome começa com H... e como termina?
- Helena. E o seu, como começa?
- P
- Pedro?
- Paulo.
- Prazer, Paulo.
- Prazer é todo meu, Helena.
Chegamos, e como estava com sede , pedi outra cerveja.
- Vou te acompanhar, apesar de que não bebo... passo mal.
- Também não me sinto muito bem... mas está um calor!
Não sei quantas tomamos...
Acordei com uma dor de cabeça, senti algo ruim, não sabia o que era pior.
Levantei e fui ao banheiro, tomei um banho.
Desci, vi que não era bem o lugar que pensei...
Estava tudo calmo. O café da manhã estava sendo servido em uma sala pequena.
Tomei o café e fui até a recepção.

- Bom dia.
- Bom dia. Dormiu bem?
- Dormi. Acordei com uma dor de cabeça, mas já passou.
- Pensei em te acordar ontem. O pessoal foi na praça.
- Na praça?
Na praça aqui perto tem um pessoal alegre, canta e dança...

Fiquei pensando...

Não foi essa moça que me mostrou o quarto ontem. Foi uma senhora que me serviu uma xícara de chá.

Logo deitei e dormi...

Será que foi um sonho, pesadelo ou conheci mesmo o Paulo?...

Resolvi ir embora.

- Fecha minha conta, lembrei que tenho compromissos em outra cidade.

Saí rapidinho.
Andei uma hora na estrada sempre em frente, sem curvas nem desvios.
Chequei em uma cidadezinha e vi uma pousada.
Entrei.
Na recepção
Um rapaz com a camisa aberta.

- Bem-vinda, Helena. Estava te esperando.
- Obrigada, Paulo.

Estava com meu lindo vestido vermelho.

Mistério!!!


***



Na recepção um sorriso de felicidade ao vê-la chegar, ela estava deslumbrante e linda se aproximando passo a passo para perto de mim, em cada passo eu sentia o seu calor e ela se tornava mais bela, temperando o meu olhar com um toque especial de mulher faminta de curiosidade.

- Seu vestido é lindo e combina com o seu batom, que deve ter um sabor especial de morango e esse pingente vermelho entre seus seios deixam-nos mais corados. Um H detalhado e esculpido à mão por algum artesão hábil num trabalho especialmente feito para você, pois formam uma parceria perfeita de beleza se acomodando carinhosamente nos relevos dos seus seios.

Ela atravessou a porta, se aproximou e penetrou no meu coração, me deixando sem ação e eu fiquei sem palavras olhando penetradamente em seus olhos escutando ela perguntar:

- Como você pode estar aqui, se eu te deixei para trás?

- Eu sou o cavaleiro dos sonhos e te guiei para cá, invadindo seu sonho, te buscando em seu mundo fechado e distante para conhecer o meu. Agora que está aqui em minha frente, ao alcance dos meus braços, não tenho coragem de tocá-la.

- Que lugar é esse?

- Seja bem vinda à pousada dos sonhadores, onde os amantes dos sonhos caminham livres em seus devaneios, livres em suas ilusões e fantasias sem serem importunados pelo mundo real.

- Você é real ou está apenas no meu sonho?

- Depende de você. Qual é o seu sonho?

- Ainda não sei, estou vagando nele há tempos e não consigo defini-lo, porém toda vez que sonho encontro você. Qual é a chave para entrar nessa pousada, pois estou aqui e não sei como entrei?

- A chave é sonhar e nesse momento você está sonhando. Você foi sequestrada pelo cavaleiro dos sonhos e trazida para cá por sua livre e espontânea vontade, pois inconscientemente seguia aquele cavaleiro galopando com sua camisa aberta em seu cavalo branco e atravessando as barreiras da realidade para alcançá-lo e sonhar com ele.

- Será que você faz parte mesmo do meu sonho?

- Os sentimentos dos sonhos estão nas palavras, no olhar e no desejo envolvente da vida e se eu estou no seu sonho é porque você me deseja, nem que seja apenas para ficar ao seu lado um pouquinho e enquanto você sonhar comigo estarei galopando ao seu lado nos seus sonhos, porém se isso deixar de acontecer, estarei impossibilitado e descartado dos seus sonhos, seria impossível encontrá-la na pousada dos sonhadores.

- Então vamos sonhar. Vem comigo!

Tocamos-nos e tudo foi se transformando aos poucos, como se os seus olhos estivessem fechando e penetrando num sono profundo, se entregando e abandonando o mundo real. Onde era pousada, agora é um mundo secreto. Para entrar tem que ter a chave e a chave é o sonho onde poucos conseguem caminhar.

Corremos para o sonho e o mundo real não consegue mais nos enxergar. Como é triste não conseguir sonhar e sem o sonho é impossível abrir a porta da pousada dos sonhadores.

Sonhar é gostoso e faz bem à saúde. Tente!

Paulo
Zip...Zip...Zip...ZzipperR

Beijosss minha rainha linda..

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

deitada nas flores...

*

Uma flor plantada no coração

As flores da imaginação estão lindas em seus canteiros de ilusões envolvendo as paixões das aves que neles pousam, vejo casais de andorinhas num vôo ligeiro e atraente, enquanto casais de rolinhas e pombas namoram camufladas entre as flores.

As flores abrem suas pétalas num grande sorriso de felicidade tentando namorar com os pássaros, lhes oferecendo suas belas cores com uma beleza atraente, encantadora e apaixonante, transformando seus canteiros aconchegantes num mundo de amantes. Onde os pássaros voam entre as flores num afago de amor, lançando suas sementes da vida e cortejando com carinho sua flor num abençoado momento de prazer e amor.

Entre as flores caminha com dificuldades um pássaro ferido por uma flor, atingido no peito pelos espinhos afiados do amor, que arranharam seu coração atingindo profundamente a alma, tirando sua calma e deixando o pássaro ferido perdido no grande jardim do amor, pois ele não consegue mais pensar, não consegue ter paz, nem consegue voar temendo ser o momento de se entregar.

O sol se perde atrás das nuvens escuras, sem brilho vai embora e o tempo escurece trazendo rajadas fortes de vento capazes de destruir jardins, flores, pássaros e amores. O momento de tensão atinge o pássaro ferido, que se encontra quietinho e sem forças para fugir do temporal.

No clarear dos relâmpagos avisto o pássaro assustado no meio da escuridão da tempestade, seus pensamentos foram atingidos pela chuva forte e sem habilidades para voar olha a flor que o atingiu e molhado de lágrimas, com o seu coração trovejando entre relâmpagos, que são fleches de seus pensamentos movidos pela saudade e vontade de se aproximar da flor sem poder voar, cantar ou beijá-la.

O pássaro concentrado na beleza de sua flor sente seu coração desabafar sem respostas:

- Por que faz isso comigo minha linda flor, se sabe que eu sou apaixonado por você? Passo a vida pensando em você e quero você pra mim.

Com os olhos fixos o pássaro vê a flor balançando ao vento, jogando pétalas em sua direção e querendo lhe mandar um recado, em cada balanço ela se aproxima um pouquinho mais dele, até chegar o momento em que cria coragem e se lança sobre o corpo do pássaro rolando no canteiro onde o amor é semeado e brota regado pela sede da paixão.

A tempestade nos corações deles passou, no canteiro onde eles rolaram as sementes de amor brotaram trazendo flores lindas com suas cores misturadas.

Olhando o texto percebi que você é uma sementinha de amor plantada no meu coração, que brotou e a cada dia cresce mais e mais com suas raízes profundas e para arrancá-la de mim, teria que retirar um pedaço do meu coração e se isso acontecesse, eu sofreria o resto da minha vida sentindo a sua falta, por isso cuido de você com muito carinho.

Zip...Zip...Zip...ZzipperR


presente de zip....



terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Continuo a galopar ao seu lado, pena que você não me vê


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O jogo da verdade

O sonho me levou a um caminho de várias faces, às vezes colorido e muitas vezes escuro, caminhando no escuro tentando achar uma saída para a realidade.

Hoje vi você chegando com seu cavalo branco cavalgando em minha direção. Num galope cuidadoso seu corpo flutuava trajando vestis de uma cowgirl, parecendo até uma índia com seu chapéu de couro e duas tranças.

Eu permaneci parado vagando com o meu olhar fixo em seu galope dominante, dançando sua canção preferida numa parceria perfeita sobre o corpo suado do seu lindo cavalo branco.

Fiquei admirando seu rosto enquanto você girava sobre o meu corpo e me assustei com seu olhar sério bem próximo à minha face, inclinando seu corpo sobre o cavalo, você tocou os meus cabelos duvidando da realidade, desafiando a realidade do sonho com o seu toque sutil e propondo um jogo da verdade, querendo encontrar a realidade do sonho e se certificar da minha existência.

Você desceu do cavalo branco e sentou-se ao meu lado colocando uma garrafa no chão e riscando uma linha entre nós falando:

- Vamos fazer um jogo da verdade, se o gargalo da garrafa parar do seu lado, você terá de responder a minha pergunta com uma verdade e se parar ao contrário eu responderei com a verdade. Certo?

- Pode girar a garrafa!

A garrafa girou, girou, girou e parou no meu lado, então ela perguntou:

- Você é real ou apenas um sonho?

- Eu sou real, um personagem da realidade que se perdeu no sonho.

Ela girou a garrafa de novo e ela parou apontando para o meu lado, então ela perguntou:

- Eu sou real para você?

- Na verdade eu não sei, tento encontrar a verdade no sonho, mas sempre estou sozinho, termino o sonho numa realidade distante.

- Eu vou girar a garrafa pela última vez, depois você pode voltar para o seu sonho.

Ela girou a garrafa e de novo parou apontando para mim e ela perguntou:

- O seu amor é verdadeiro?

- Sim! Eu te amo de verdade e você me ama?

Ela desceu do cavalo, ajeitou a roupa e saiu caminhando sem responder e eu terminei como sempre sozinho no sonho.

ZZZzzzzzzzzzzzzzzzzzipperRRRRRRRRRRRR.......


zipperRRRRRRRRRRRR.......



jogo da verdade não foi verdadeiro com você


zummmmmmm

helena

jamais subestime um ser que sangra durante uns dias todo mês e não morre....